No meu consultório, recebo muitos pacientes com uma dor aguda e persistente na base do polegar, irradiando para o punho e, por vezes, para o antebraço. Muitas vezes, essa dor se intensifica ao segurar objetos ou levantar peso (especialmente bebês e crianças).
É a Tenossinovite Estenosante de De Quervain – ou, como gosto de explicar de forma simples, é quando os tendões do polegar encontram uma “resistência” excessiva ao se moverem, gerando atrito e dor. Eu explico o mecanismo dessa condição, quem está em maior risco e como podemos tratá-la com sucesso.
1. A Metáfora do “Tendão que Escorrega”: O que é De Quervain?
Para entendermos De Quervain, precisamos visualizar dois tendões cruciais do polegar (o Abdutor Longo e o Extensor Curto) que ficam alojados em um túnel, na lateral do punho. Pense neste túnel como uma capa protetora por onde os tendões devem deslizar livremente, como um fio dentro de uma mangueira.
O que acontece na De Quervain:
O Atrito: Devido ao uso excessivo ou movimentos repetitivos, o revestimento desse túnel (a bainha tendínea) inflama e incha.
A Estenose: O túnel fica estreito (estenose), impedindo o deslizamento suave dos tendões. É aqui que o tendão “escorrega” com dificuldade, gera atrito e causa a dor intensa.
Em termos médicos, chamamos isso de tenossinovite estenosante.
2. Quem Está em Maior Risco de Desenvolver De Quervain?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver a condição, minha experiência clínica mostra que alguns grupos são particularmente vulneráveis devido à natureza de seus movimentos diários:
- Novas Mães (Mãe de Quervain): O ato repetitivo de levantar o bebê, segurando-o com o polegar estendido, é um dos gatilhos mais comuns.
- Profissionais com Movimentos Repetitivos: Digitadores, músicos, cabeleireiros e qualquer atividade que exija pinça ou desvio constante do punho.
- Hormônios: Mulheres de meia-idade e pessoas com condições como Artrite Reumatoide.
3. O Diagnóstico Preciso e o Teste de Finkelstein
O diagnóstico da Doença de De Quervain é principalmente clínico. Eu confirmo a condição através de um exame físico simples e rápido, chamado Teste de Finkelstein.
Como eu o realizo: Peço ao paciente que feche a mão, dobrando o polegar por dentro dos outros dedos. Em seguida, peço que desvie o punho em direção ao dedo mínimo. Se essa manobra reproduzir uma dor aguda e intensa na lateral do punho, o teste é positivo.
4. Minhas Abordagens
Meu objetivo é sempre iniciar com o tratamento menos invasivo possível.
Tratamento Conservador (Inicial):
- Repouso e uso de órtese (tala) para imobilizar o polegar e punho.
- Medicamentos anti-inflamatórios.
- Infiltração com corticosteroide (em casos selecionados) para desinflamar o local.
Tratamento Cirúrgico (Definitivo):
Se o tratamento conservador não aliviar a dor, a cirurgia é a solução definitiva. É um procedimento minimamente invasivo e de rápida recuperação.
Durante a cirurgia, eu simplesmente libero o teto do túnel apertado. Ao “abrir a mangueira”, os tendões voltam a deslizar livremente, aliviando o atrito e a dor imediatamente. É uma cirurgia com alto índice de sucesso.
Conclusão e minha recomendação
A dor causada por De Quervain é mais do que um incômodo; ela limita suas atividades diárias mais básicas. Não a ignore.
O diagnóstico preciso, seguido da intervenção correta, seja ela conservadora ou cirúrgica, é o que garante que você volte a usar seu polegar e punho sem dor.
Sua mão merece funcionar sem atrito. Se você sente dor na base do polegar, agende sua consulta e resolva essa condição de forma definitiva.
Atenção: Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação médica. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua saúde, procure um especialista. Somente um profissional poderá oferecer o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso.


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