Introdução
A contratura de Dupuytren é uma condição progressiva que afeta a fáscia palmar, levando à formação de cordas fibrosas que restringem a extensão dos dedos. Apesar de, muitas vezes, parecer uma alteração simples, trata-se de uma patologia que pode comprometer significativamente a função da mão.
Neste artigo, apresentamos um caso clínico completo, abordando desde o diagnóstico até o pós-operatório, destacando não apenas a técnica cirúrgica utilizada, mas também a importância fundamental da reabilitação no resultado.
Descrição do caso
Paciente do sexo masculino, 59 anos, apresentando contratura de Dupuytren acometendo o 5º raio da mão direita.
Ao exame clínico, observava-se limitação importante da extensão do dedo mínimo, com presença de corda palmar bem definida, característica da doença em estágio avançado.
Devido ao grau da contratura e impacto funcional, foi indicada abordagem cirúrgica.

Planejamento cirúrgico
Optou-se pela ressecção da corda patológica associando duas técnicas consagradas:
- Retalho de Jacobson
- Técnica de McCash (“palma aberta”)
Essa associação é especialmente indicada em casos mais graves, permitindo melhor liberação da contratura e reduzindo a tensão sobre a pele.
Na técnica de McCash, uma porção da palma é mantida aberta, favorecendo cicatrização por segunda intenção, o que contribui para melhores resultados funcionais em determinados cenários.

Procedimento cirúrgico
Durante o procedimento, foi realizada dissecção cuidadosa da região, com identificação das estruturas anatômicas importantes.
Destaca-se a visualização do nervo digital colateral ulnar, localizado abaixo da corda fibrosa.
A preservação dessas estruturas é fundamental durante a ressecção, uma vez que lesões nervosas podem resultar em déficits sensoriais permanentes.
A corda patológica foi então completamente ressecada, permitindo a liberação do dedo acometido.

Resultado intraoperatório
Após a ressecção da corda, observou-se ganho imediato de extensão do 5º dedo.
O alinhamento do raio foi restabelecido, evidenciando a eficácia da liberação cirúrgica.
Pós-operatório (4 semanas)
Na avaliação após quatro semanas, observou-se evolução da cicatrização palmar.
No entanto, o paciente não realizou mobilização adequada no período pós-operatório, resultando em:
- manutenção de contratura parcial residual
- limitação funcional persistente
Diante desse quadro, foi indicada terapia ocupacional, com o objetivo de recuperar a amplitude de movimento e otimizar o resultado obtido com a cirurgia.

Discussão: o ponto mais importante do caso
Este caso evidencia um aspecto fundamental no tratamento da contratura de Dupuytren:
A cirurgia, isoladamente, não garante o resultado final.
O sucesso do tratamento depende diretamente de fatores como:
- adesão do paciente
- mobilização precoce
- acompanhamento com terapia ocupacional
- reabilitação adequada
A ausência desses cuidados pode comprometer significativamente o ganho funcional, mesmo após uma cirurgia tecnicamente bem executada.
Conclusão
A contratura de Dupuytren exige uma abordagem completa, que vai além da técnica cirúrgica.
A combinação de um procedimento bem indicado com um protocolo adequado de reabilitação é essencial para alcançar bons resultados funcionais e duradouros.
Se você apresenta dificuldade para estender os dedos ou sinais de contratura na mão, é fundamental buscar avaliação especializada.
O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença na preservação da função da mão.
Agende sua consulta: (21) 96999-1619
Atenção: Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui uma avaliação médica. Se você apresenta sintomas ou tem dúvidas sobre sua saúde, procure um especialista. Somente um profissional poderá oferecer o diagnóstico e o tratamento adequados para o seu caso.

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